28 janeiro 2026

The sun is a nuclear fusion reactor

George Porter

The sun is a nuclear fusion reactor which derives its energy principally from the fusion of hydrogen atoms into helium. This reaction has been going on for about 5 billion years and will continue for about as long again before the fuel begins to run out. The inside temperature is several million degrees but the surface temperature corresponde very approximately to that of a black body at 6,000 ºC. The energy maximum in the radiation which reaches the earth’s surface occurs near the middle of the visible region in the green, as one would expect of a well adapted eye: 40% of the total radiation is in the visible, 51% in the infra-red and 9% in the ultra-violet region below 400 nm.

Fonte: Porter, G. 1975. Life under the sun. Proceedings of the Royal Institution of Great Britain 48: 173-82.

27 janeiro 2026

Una fracción de la energía radiante

John D. Isaacs

El ciclo de la vida en el mar, al igual que en la tierra, recibe la energía de la luz solar visible, que actúa sobre las plantas verdes. De cada millón de fotones que alcanza la superficie terrestre, sólo uns 90 se utilizan en la producción neta de alimentos básicos. Quizá 50 de ellos contribuyen al crecimiento de las plantas terrestres y unos 40 al de las plantas marinas monocelulares: el fitoplancton […]. Esta pequeña fracción de la energía radiante del sol es la que proporciona a los seres vivos de este planeta, no solo alimentos, sino también una atmosfera respirable.

Fonte: Isaacs, J. D. 1978 [1969]. La naturaleza de la vida oceánica. In: Scientific American, org. Ecología, evolución y biologia de poblaciones. Barcelona, Omega.

25 janeiro 2026

Falação

Gilberto Mendonça Teles

Eu sei do mel secreto da cedilha,
dos lábios, da vogal, daquele gomo
de lima ou de limão, que chupo e como
sem deixar de lamber toda a vasilha.

Como quem toca, como quem dedilha
(e como até quem se fizer de gnomo),
vou pincelando o meu mercúrio-cromo
nas sombras veludosas da virilha.

Passo por dentro e por fora, no começo
e no fim, pelo meio e pelo avesso,
passo na frente e atrás, na convicção

de que a poesia e amor são meu repouso:
nenhum desejo há de ficar sem gozo,
nenhuma língua há de falar em vão.

Fonte (v. 1-3, 8, 13 e 14): Nejar, C. 2011. História da literatura brasileira. SP, Leya. Poema publicado em livro em 2000.

24 janeiro 2026

Coevolução cérebro-intestino

Leslie C. Aiello & Peter Wheeler

[E]m humanos e em outros primatas, houve uma coevolução entre o tamanho do cérebro e o tamanho do intestino. A conclusão lógica é que, a despeito do que tenha selecionado um aumento no tamanho do cérebro, nós deveríamos esperar uma seleção correspondente para reduzir o tamanho relativo do intestino. Isso é essencial para manter a [taxa metabólica basal] do corpo no nível padrão. Se um primata tivesse de ter um intestino grande, o esperado seria que ele também tivesse um cérebro relativamente pequeno.

Fonte (em trad. livre): Aiello, LC & Wheeler P. 1995. The expensive-tissue hypothesis: The brain and the digestive system in human and primate evolution. Current Anthropology 36: 199-221.

23 janeiro 2026

O pintor e sua modelo


Marie Bracquemond (1840-1916). Le peintre et son modèle dans un jardin fleuri. 1870-80.

Fonte da foto: Wikipedia.

21 janeiro 2026

O sol cansa

Poh Pin Chin

O sol cansa,
a chuva interrompe;
então a raposa –
exausta ou encharcada –
dorme e sonha
atrás de ideias rubras.

19 janeiro 2026

Une charogne

Charles Baudelaire

Rappelez-vous l’objet que nous vîmes, mon âme,
  Ce beau matin d’été si doux:
Au détour d’un sentier une charogne infâme
  Sur un lit semé de cailloux,

Les jambes en l’air, comme une femme lubrique,
  Brûlante et suant les poisons,
Ouvrait d’une façon nonchalante et cynique
  Son ventre plein d’exhalaisons.

Le soleil rayonnait sur cette pourriture,
  Comme afin de la cuire à point,
Et de rendre au centuple à la grande Nature
  Tout ce qu’ensemble elle avait joint;

Et le ciel regardait la carcasse superbe
  Comme une fleur s’épanouir.
La puanteur était si forte, que sur l’herbe
  Vous crûtes vous évanouir.

Les mouches bourdonnaient sur ce ventre putride,
  D’où sortaient de noirs bataillons
De larves, qui coulaient comme un épais liquide
  Le long de ces vivants haillons.

Tout cela descendait, montait comme une vague,
  Ou s’élançait en pétillant;
On eût dit que le corps, enflé d’un souffle vague,
  Vivait en se multipliant.

Et ce monde rendait une étrange musique,
  Comme l’eau courante et le vent,
Ou le grain qu’un vanneur d’un mouvement rhythmique
  Agite et tourne dans son van.

Les formes s’effaçaient et n’étaient plus qu’un rêve,
  Une ébauche lente à venir
Sur la toile oubliée, et que l’artiste achève
  Seulement par le souvenir.

Derrière les rochers une chienne inquiète
  Nous regardait d’un oeil fâché,
Epiant le moment de reprendre au squelette
  Le morceau qu’elle avait lâché.

– Et pourtant vous serez semblable à cette ordure,
  A cette horrible infection,
Etoile de mes yeux, soleil de ma nature,
  Vous, mon ange et ma passion!

Oui! telle vous serez, ô la reine des grâces,
  Après les derniers sacrements,
Quand vous irez, sous l’herbe et les floraisons grasses,
  Moisir parmi les ossements.

Alors, ô ma beauté! dites à la vermine
  Qui vous mangera de baisers,
Que j’ai gardé la forme et l’essence divine
  De mes amours décomposés!

Fonte (em port.): Baudelaire, C. 2006. As flores do mal. SP, Martin Claret. Poema publicado em livro em 1857.

17 janeiro 2026

Growth

Roderick Hunt

All living organisms are, at various stages in their life history, capable of ‘growth’ in the sense of change of size, change in form and change in number, given suitable conditions. These three processes together form an important part of the phenomenon of life itself and among natural systems help to distinguish the living from the non-living. Of course, many of the latter may also be said to ‘grow’: crystals, river deltas and volcanic cones can change recognizably within human time-scales. But, this apart, even within self-reproducing biological organisms a precise definition of what is meant by ‘growth’ is not all easy. Definitions may range from an unequivocal statement about change in a specific dimension to a highly abstract state of affairs in which the verb ‘to grow’ meaning nothing more than ‘to live’ or even ‘to exist’. […] I advance no firm definition to cover the use of the term in this book other than to say that it will be used to describe irreversible changes with time, mainly in size (however measured), often in form, and occasionally in number.

Fonte: Hunt, R. 1982. Plant growth curves. Londres, Arnold.

16 janeiro 2026

Altitude e aclimatação fisiológica

Joseph Sidney Weiner

A resposta imediata à falta de oxigênio (anoxia) é o aumento de volume do ar respirado por minuto. Isso se consegue através de inspirações mais rápidas e profundas. Essa reação tem apenas um efeito limitado na melhoria do suprimento de oxigênio; na realidade o aumento de respiração leva à ‘eliminação’ do dióxido de carbono das vias aéreas e, consequentemente, [do] sangue. Esta perda de dióxido de carbono modifica o equilíbrio ácido-base do corpo, controlado homeostaticamente, para um nível mais alcalino – ‘alcalose’. No mal-estar de montanha a anoxia e a alcalose desempenham seu papel. A anoxia se manifesta por cansaço, dor de cabeça, perda de atenção e uma sensação semelhante à da ‘confiança do bêbado’; à medida que a alcalose se desenvolve, surgem náuseas, vômitos e tonturas. Qualquer esforço é acompanhado de um aumento anormal da taxa de pulsação.

Exposições contínuas permitem o desenvolvimento de uma tolerância considerável. Os processos de aclimatação acarretam uma hiperpnéia e a pressão de CO2 no ar alveolar, embora baixa, é maior do que sem o aumento da ventilação. Não obstante a alcalose tem de ser [contrabalanceada], o que é feito pelos rins que excretam uma urina mais alcalina, eliminando assim o excesso de bases e mantendo o pH do sangue em níveis normais. Ao mesmo tempo [em] que as células vermelhas do sangue são formadas em número crescente, o número de hemácias e a concentração de hemoglobina aumentam de modo que a capacidade do sangue em transportar oxigênio é elevada. Há também, provavelmente, um aumento da capacidade dos tecidos para trabalharem a baixas tensões de oxigênio.

A 4.500 m a aclimatação ocorre em cerca de 10 dias. A longo prazo sucedem-se mudanças morfológicas – o tórax se alarga com o aumento de respiração e a capacidade vital se torna maior.

Fonte: Harrison, G. A. & mais 3. 1971 [1964]. Biologia humana. SP, Nacional & Edusp.

13 janeiro 2026

Satã

Maranhão Sobrinho

Nas margens de cristal do Danúbio do sonho,
cromadas de rubis, de pérolas purpúreas,
vê-se o imenso solar sonolento e medonho
do dragão infernal das Princesas espúrias...

Guarda o nobre portal de alabastro tristonho
desse antigo solar, de malditas luxúrias,
em que fulge o brasão heráldico do sonho
não sei quantas legiões de duendes e fúrias!

Sobre o mármore azul das colunas austeras,
que, em noivados de luz, o luar engrinalda
brilha o vivo cristal de alígeras quimeras...

Velam desse dragão o oriental tesoiro,
sobre um trono de rei, de maciça esmeralda,
dois soberbos leões, de grandes patas de oiro...

Fonte: Ricieri, F., org. 2008. Antologia da poesia simbolista e decadente brasileira. SP, Ibep. Poema publicado em livro em 1908.

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