A história da humanidade se confunde com a história das guerras. Deveríamos lutar para que se confundisse apenas com a história da literatura.
21 Novembro 2009
Barcarola
João Zorro
El-rey de Portugale barcas mandou lavrare, e lá iran nas barcas migo mya filha e noss’amigo.
El-rey portugueese barcas mandou fazere, e lá iran nas barcas migo mya filha e noss’amigo.
Barcas mandou lavrare e no mar as deytare, e lá iran nas barcas migo mya filha e noss’amigo.
Barcas mandou fazere e no mar as metere, e lá iran nas barcas migo mya filha e noss’amigo. Fonte: Figueiredo, C. 2004. 100 poemas essenciais da língua portuguesa. BH, Editora Leitura. Cantiga datada do final do século 13 ou início do século 14.
E, afinal, o que seria mais natural do que os velhos irem para Marte, seguindo a trilha deixada pelos ruidosos desbravadores, a elite perfumada, os viajantes profissionais e os palestrantes românticos em busca de novas emoções?
Então as pessoas secas e quebradiças, as pessoas que passavam o tempo escutando o próprio coração e sentido o pulso, derramando xaropes na boca torta, aquelas pessoas que tinham feito excursões de ônibus à Califórnia em novembro e na terceira classe de navio a vapor para a Itália em abril, as pessoas parecidas com frutas secas, as pessoas mumificadas, afinal chegaram a Marte... Fonte; Bradbury, R. 2005 [1950]. As crônicas marcianas. SP, Globo.
Como poderia saber que Providência me deu o ser? Sei apenas que, a um aceno vosso, devo tornar-me vosso ouvido e vossos olhos; E vossa Força, também, para fazer girar grandes rodas E libertar do jugo vossos filhos, enquanto permaneço agrilhoado!
Que importa conhecerdes os poderes que me movem! Sei apenas que estou conjugado àqueles verdadeiros poderes, que rompem os espaços alterosos, E, violentando a Terra, poderiam salvar-me, um dia Se não fosse o espectro covarde que me retém para sempre encadeado. Fonte: Kipling, R. 1991-92. Song of the dynamo. Revista USP 12: 74-5. Poema datado de 1928.
Sabemos que são sombras quanto amamos. Sombras de estradas, de rios e planetas. E até as sombras que nos vêm dos ramos sombras também, embora mais discretas.
E a sombra da mulher de que gostamos é sombra ainda, como a das valetas em que de si e de nós a desnudamos, cobrindo-nos de sombra e de violetas.
Mas a ternura com que amamos esta teoria de sombras assombrosa, sendo sombra também, aviva a festa
em torno de outras entre as quais repousa, fresca de fruta, sentada ao pé da cesta, a sombra da mulher que aspira a rosa. Fonte: Silva, A. C. & Bueno, A., orgs. 1999. Antologia da poesia portuguesa contemporânea. RJ, Lacerda Editores. Poema publicado em livro em 1981.
Nessa quinta-feira, 12/11, o Poesia contra a guerra completou três anos e um mês no ar. Ainda ontem, a marca de 80 mil visitas foi ultrapassada – ver ‘Oitenta mil visitas’.
Desde o balanço mensal anterior – Aniversário de três anos – foram aqui publicados textos dos seguintes autores: Abraham Maslow, Alberto de Oliveira, Aleksandr Tvardóvski, Daniel Filipe, Gilberto Mendonça Teles, James Trefil, Lyall Watson e Stanley Milgram. Além de outros autores que já haviam sido publicados antes.
Cabe ainda registrar a publicação de imagens dos seguintes pintores: Adam Elsheimer, Antoine Watteau e Corregio.
No meio do expediente dessa quarta-feira, o Poesia contra a guerra ultrapassou a marca das 80 mil visitas. Do balanço numérico anterior – ver ‘Setenta mil visitas’, em 15/6 – até ontem (11/11) ocorreram em média aproximadamente 67 visitas/dia. O recorde positivo de visitantes únicos em um só dia permanece em 185, alcançado em 4/6/2008.
E vai a sombra da cruz se projetou no horizonte e veio vindo nos campos, roçando estradas e rios, aplainando num só corpo as depressões e montanhas e endireitando as veredas e os caminhos.
Sombra imensa que foi desfazendo as trevas, serrando troncos cansados, cegando os olhos das feras, abrindo os olhos das aves e as cobras todas queimando, multiplicando os insetos e os frutos multiplicando, fazendo peixe das folhas e nas pedras assoprando um pensamento de amor. Então as pedras tremeram, se levantaram cantando e foram seguindo o rumo da sombra que se afastava para o seu rumo nenhum. Mas quando a sombra chegou à linha-d’água da praia e como um pássaro leve se deslizou pelo mar, o vento que não soprava se pôs furioso a soprar e as águas que eram um só corpo tiveram que separar-se: um grande túnel de vidro foi devorando o silêncio da sombra que se entregava pousando o braço direito nos ombros da humanidade Fonte: Pinto, J. N. 2004. Os cem melhores poetas brasileiros do século, 2ª edição. SP, Geração Editorial. Poema publicado em livro em 1962.
4. [...] O uso da linguagem foi muitas vezes proposto como uma das coisas que separam os seres humanos do restante dos animais. A questão sobre como, e de que forma, os animais se comunicam se torna portanto importante para o estabelecimento dos limites entre seres humanos e animais. Há, na verdade, três questões diferentes ocultas nesta simples pergunta. É importante perceber que elas são distintas, no mínimo porque muitas vezes são confundidas. As três questões estão relacionadas abaixo, junto com as respostas que dou a elas e que tentarei defender no resto deste capítulo.
1. Os animais podem se comunicar entre eles? (Sem dúvida.) 2. Os animais e os seres humanos podem se comunicar? (Até certo ponto.) 3. Os animais podem aprender a linguagem humana? (Provavelmente não.)
É a última pergunta que mais nos interessa, e é também a mais controvertida. [...] Fonte: Trefil, J. 1999. Somos diferentes? RJ, Rocco.